sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

A guerra e o tempo

Nas férias, fui até a Alemanha para trabalhar e me divertir. Quis ir a Heilbronn, uma cidade que fica no estado de Baden-Würtemberg, onde tenho um primo de terceiro grau e onde os Talmon surgiram.

Heilbronn foi varrida do mapa durante a segunda guerra mundial. Conversando com meu primo Werner Talmon, de 75 anos, veio a descoberta: Ele não só presenciou como sobreviveu aos ataques dos ingleses.

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Primo Werner me levou até o museu local que conta um pouco da história da cidade através de imagens antigas. Os registros em preto e branco é tudo que sobrou daquelas construções.






Há imagens dramáticas dos prédios logo depois do bombardeio. "A cidade ficou pegando fogo por mais de duas semanas", disse Werner pra mim. Então o que vemos nas fotos recentes são prédios com pouco mais de 60 anos de idade.









Depois de sobreviver junto com parte da família, Werner cresceu e se mudou para o Brasil, por isso fala o idioma português perfeitamente. Lá ele teve uma filha do seu primeiro casamento. Como bom nômade que foi na juventude, ele ainda morou por mais de dez anos nos Estados Unidos, onde trabalhava para Pan Air, uma companhia aérea muito grande na época.




Hoje aposentado, Werner voltou a Heilbronn onde agora trabalha nos arquivos da cidade. Ele e os colegas lutam para resgatar e preservar a história local.

E depois de sobreviver a um bombardeio que matou mais de 7.000 habitantes, sair da Alemanha, rodar o mundo, ele encontrou uma companheira quando retornou à própria cidade natal. Larissa é russa e tem um sotaque adorável quando fala alemão. Os dois tem muita coisa em comum e vivem felizes apesar dos tempos difíceis na economia da Europa.




Então é isso. Viajei mais de oito mil quilômetros para descobri que carrego no nome a história dos sobreviventes da segunda guerra mundial. E acho que sou muito parecido com meu primo Werner: Eu quero ver o mundo, trabalhar bastante, falar outro idioma perfeitamente e seguir me relacionando com as pessoas sem nunca esquecer que é preciso ter respeito.

Werner também me ensinou que, quando a vida nos decepciona, é preciso ter paciência! Porque o tempo pode fazer coisas impensáveis. Inclusive fechar as feridas de uma cidade varrida pela guerra.

Werner, meu caro primo e amigo, muito obrigado por tudo!

1 comentários:

  1. Uau, arrazou na cobertura internacional! sou fã do seu trabalho!

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